Volto a publicar, desta feita para partilhar a minha experiência acerca da condução da minha mota, uma Bandit 1200 N de 96, com 57000 Kms, com o pneu traseiro em mau estado.
Regressemos ao início da minha aventura com esta moto. Durante dois anos da minha vida decidi adquirir uma série de motas, todas elas de cilindrada elevada ( para a época, claro). A mais "pequena" que comprei foi uma Ducati 750SS e as "maiores" tinham 1200cc. Pelo caminho tive algumas 900 e 1000. [ Noutra altura pronunciar-me-ei sobre algumas destas motas]. Na cilindrada 1200cc tive uma Kawasaki ZRX 1200, cujo motor derivava da antiga ZZR 1200; e a minha atual Bandit 1200 N. Quando me desloquei ao stand para ver a mota, vi que a mesma não estava em exposição. Estava guardada numa garagem, cheia de pó, com o depósito roto de podre, o forro do banco rasgado, em não muito bom estado geral. Mesmo assim fiz negócio e os principais componentes foram reparados antes de a mota me ser entregue. Apesar de ter sido instalado um pneu novo à frente, mantiveram o pneu traseiro, que de facto não tinha grande aspeto mas ainda tinha piso para andar. Assim que saí do stand com ela, fiquei maravilhado com a maneabilidade e com o caráter do motor, disponível desde baixas rotações, com uma resposta ao acelerador, um binário, uma subida de regime dignos de nota. Fiquei imediatamente apaixonado, a tal ponto que foi a mota que mantive nos últimos anos e que me tem deixado bastante satisfeito (exceção feita aos consumos, na caso dos 7, 8 litros, por vezes 9). Bom, mas apesar de nos primeiros tempos a diversão ter sido permanente, e de a mota ser estável em reta e em curvas relativamente rápidas, em curvas mais lentas e apertadas comecei a notar uma grande dificuldade em conduzi-la. Primeiro, o binário do motor torna difícil dosear a potência em curva e selecionar a mudança mais apropriada: esqueçam 3ª, 2ª é em teoria a mais indicada, mas por vezes parece demais e começa a pedir uma 1ª, que não é fácil manter sem passar para 2ª, e depois voltamos ao mesmo dilema. Ora com os pneus que acima referi, que já apresentavam sérias marcas de uso e do tempo, era extremamente difícil equilibrar em curvas lentas um conjunto que devia pesar cerca de 240 kilos com o depósito cheio. A mota ora caía demasiado para dentro, exigindo que eu a endireitasse ou que lhe desse um pouco mais de aceleração (não muito, é claro), ora alargava demasiado a trajetória, exigindo que eu desacelerasse, mas não muito ou corria o risco de que ela caísse novamente para dentro. Tudo isto era dificultado pelo pneu traseiro, que além de estar "quadrado" se apresentava ressequido. Como sabemos, os pneus "quadrados" (chamam-se assim porque foram muito usados em reta e pouco em curva, logo a superfície central desgastou-se e o pneu deixou de ser curvo) tornam a entrada em curva e a definição de trajetórias extremamente difíceis. Além de ser difícil definir e manter o grau de inclinação, pois não há uma superfície curva e uniforme de borracha que permita fazê-lo; este tipo de pneus desgastados causam uma sensação algo assustadora de a mota ir cair para o lado a baixa velocidade. A apimentar esta situação, como o pneu estava bastante ressequido, a sua aderência era qualquer coisa de assustador, pois a traseira escorregava com muita facilidade e a confiança em abordar as curvas diminuía bastante. Bem, não deixaram de ser tempos divertidos, que contribuíram por certo para o desenvolvimento da minha perícia como condutor, mas que me impediam de explorar convenientemente a estabilidade da minha mota a curvar, e me retiravam uma dose considerável de confiança e à vontade. Além disso, deixavam-me com aquela sensação frustrante de que "a mota a curvar não funcionava bem", o que contrastava com a impressão geral de equilíbrio da mota a muitos outros níveis.
Um belo dia decidi instalar um pneu novo traseiro e juntei o montante necessário. Custou-me 124 Euros numa promoção, já com montagem, e quem mo vendeu deu umas voltinhas para tirar a goma mais perigosa. É um Bridgestone BT 016, com as medidas 180/55-17. Bem, apesar de a minha confiança em curva andar um pouco abalada, e de saber que o pneu ainda tinha alguma da goma de origem, o que poderia torná-lo escorregadio, foi um deleite circular com a mota logo a seguir à montagem. A mota de repente parecia outra. Nada de cair de repente para dentro, permitia-me escolher a melhor trajetória, mantinha-se na trajetória escolhida com uma grande facilidade, enfim, a minha Bandit passou a ter um comportamento em curva que sem ser desportivo estava ao nível de outras tantas das suas boas características como mota de estrada. E assim passei a desfrutar de forma mais completa da minha mota, reforçando ainda mais a impressão de grande qualidade e equilíbrio de todo o conjunto. Agora claro, é preciso ver que não se trata de uma desportiva, mas não tenho dúvidas de que conduzida com mestria ( não é o meu caso, apenas a conduzo com experiência e segurança) poderá acompanhar outras motas de cariz mais desportivo, por exemplo numa estrada de montanha.
Concluindo, se quiser conhecer completamente o comportamento e potencialidades da sua mota, equipe-a com pneus adequados de qualidade, se possível com uma boa aderência. Por outro lado, se comprar uma mota usada, inspecione os pneus com muita atenção e tente experimentar a mota antes de comprar, pois poderá ter de contar com uma mudança de pneus a breve prazo, o que encarece a compra.
Concluindo, se quiser conhecer completamente o comportamento e potencialidades da sua mota, equipe-a com pneus adequados de qualidade, se possível com uma boa aderência. Por outro lado, se comprar uma mota usada, inspecione os pneus com muita atenção e tente experimentar a mota antes de comprar, pois poderá ter de contar com uma mudança de pneus a breve prazo, o que encarece a compra.