quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Pneus em mau estado

Boas!
Volto a publicar, desta feita para partilhar a minha experiência acerca da condução da minha mota, uma Bandit 1200 N de 96, com 57000 Kms, com o pneu traseiro em mau estado.
Regressemos ao início da minha aventura com esta moto. Durante dois anos da minha vida decidi adquirir uma série de motas, todas elas de cilindrada elevada ( para a época, claro). A mais "pequena" que comprei foi uma Ducati 750SS e as "maiores" tinham 1200cc. Pelo caminho tive algumas 900 e 1000. [ Noutra altura pronunciar-me-ei sobre algumas destas motas]. Na cilindrada 1200cc tive uma Kawasaki ZRX 1200, cujo motor derivava da antiga ZZR 1200; e a minha atual Bandit 1200 N. Quando me desloquei ao stand para ver a mota, vi que a mesma não estava em exposição. Estava guardada numa garagem, cheia de pó, com o depósito roto de podre, o forro do banco rasgado, em não muito bom estado geral. Mesmo assim fiz negócio e os principais componentes foram reparados antes de a mota me ser entregue. Apesar de ter sido instalado um pneu novo à frente, mantiveram o pneu traseiro, que de facto não tinha grande aspeto mas ainda tinha piso para andar. Assim que saí do stand com ela, fiquei maravilhado com a maneabilidade e com o caráter do motor, disponível desde baixas rotações, com uma resposta ao acelerador, um binário, uma subida de regime dignos de nota. Fiquei imediatamente apaixonado, a tal ponto que foi a mota que mantive nos últimos anos e que me tem deixado bastante satisfeito (exceção feita aos consumos, na caso dos 7, 8 litros, por vezes 9). Bom, mas apesar de nos primeiros tempos a diversão ter sido permanente, e de a mota ser estável em reta e em curvas relativamente rápidas, em curvas mais lentas e apertadas comecei a notar uma grande dificuldade em conduzi-la. Primeiro, o binário do motor torna difícil dosear a potência em curva e selecionar a mudança mais apropriada: esqueçam 3ª, 2ª é em teoria a mais indicada, mas por vezes parece demais e começa a pedir uma 1ª,  que não é fácil manter sem passar para 2ª, e depois voltamos ao mesmo dilema. Ora com os pneus que acima referi, que já apresentavam sérias marcas de uso e do tempo, era extremamente difícil equilibrar em curvas lentas um conjunto que devia pesar cerca de 240 kilos com o depósito cheio. A mota ora caía demasiado para dentro, exigindo que eu a endireitasse ou que lhe desse um pouco mais de aceleração (não muito, é claro), ora alargava demasiado a trajetória, exigindo que eu desacelerasse, mas não muito ou corria o risco de que ela caísse novamente para dentro. Tudo isto era dificultado pelo pneu traseiro, que além de estar "quadrado" se apresentava ressequido. Como sabemos, os pneus "quadrados" (chamam-se assim porque foram muito usados em reta e pouco em curva, logo a superfície central desgastou-se e o pneu deixou de ser curvo) tornam a entrada em curva e a definição de trajetórias extremamente difíceis. Além de ser difícil definir e manter o grau de inclinação, pois não há uma superfície curva e uniforme de borracha que permita fazê-lo; este tipo de pneus desgastados causam uma sensação algo assustadora de a mota ir cair para o lado a baixa velocidade. A apimentar esta situação, como o pneu estava bastante ressequido, a sua aderência era qualquer coisa de assustador, pois a traseira escorregava com muita facilidade e a confiança em abordar as curvas diminuía bastante. Bem, não deixaram de ser tempos divertidos, que contribuíram por certo para o desenvolvimento da minha perícia como condutor, mas que me impediam de explorar convenientemente a estabilidade da minha mota a curvar, e me retiravam uma dose considerável de confiança e à vontade. Além disso, deixavam-me com aquela sensação frustrante de que "a mota a curvar não funcionava bem", o que contrastava com a impressão geral de equilíbrio da mota a muitos outros níveis. 
Um belo dia decidi instalar um pneu novo traseiro e juntei o montante necessário. Custou-me 124 Euros numa promoção, já com montagem, e quem mo vendeu deu umas voltinhas para tirar a goma mais perigosa. É um Bridgestone BT 016, com as medidas 180/55-17. Bem, apesar de a minha confiança em curva andar um pouco abalada, e de saber que o pneu ainda tinha alguma da goma de origem, o que poderia torná-lo escorregadio, foi um deleite circular com a mota logo a seguir à montagem. A mota de repente parecia outra. Nada de cair de repente para dentro, permitia-me escolher a melhor trajetória, mantinha-se na trajetória escolhida com uma grande facilidade, enfim, a minha Bandit passou a ter um comportamento em curva que sem ser desportivo estava ao nível de outras tantas das suas boas características como mota de estrada. E assim passei a desfrutar de forma mais completa da minha mota, reforçando ainda mais a impressão de grande qualidade e equilíbrio de todo o conjunto. Agora claro, é preciso ver que não se trata de uma desportiva, mas não tenho dúvidas de que conduzida com mestria ( não é o meu caso, apenas a conduzo com experiência e segurança) poderá acompanhar outras motas de cariz mais desportivo, por exemplo numa estrada de montanha.
Concluindo, se quiser conhecer completamente o comportamento e potencialidades da sua mota, equipe-a com pneus adequados de qualidade, se possível com uma boa aderência. Por outro lado, se comprar uma mota usada, inspecione os pneus com muita atenção e tente experimentar a mota antes de comprar, pois poderá ter de contar com uma mudança de pneus a breve prazo, o que encarece a compra.

Pressão dos pneus

Boas!
Uma coisa que muitas vezes não temos paciência para verificar é a pressão dos pneus. Os pneus da minha mota, soube eu num mecânico credenciado, têm a pressão indicada de 25 para a frente e de 29 para trás (medidas PSI). As dimensões são 120/70/17 e 180/55/17, respetivamente. Ora num automóvel, habituámo-nos a rodar alguns meses e só então verificar a pressão dos pneus. Na minha mota este procedimento pode não ser o correto. 
Uma vez, numa cruva/ contracurva, a traseira da mota deslizou e só não caí porque fui imediatamente com o pé esquerdo ao chão de forma a equilibrar a mota. Na altura pareceu-me ser óleo na estrada, já que o meu pé esquerdo, ao tocar no alcatrão, também ele escorregou. É claro que se passa tudo em frações de segundo, e tudo isto são impressões recolhidas instantaneamente numa situação de emergência. Era noite, a zona estava mal iluminada, daí a minha impossibilidade de ter visto o óleo antes de ter feito as curvas. Bem, mas nas 2 semanas seguintes, ainda tomado pelo choque, dei as curvas muito mais lentamente. Nas curvas lentas, notava que a mota tinha alguma dificuldade em inclinar-se sem que houvesse aquela sensação incómoda de pré-ameaça de falta de aderência. Comecei então a pensar em verificar a pressão dos pneus. A mota é pesadita ( uma Bandit 1200 N) e aquele tipo de sensação na abordagem de algumas curvas não me parecia habitual. E de facto confirmava-se. Apesar de eu ter enchido os pneus há não muito tempo, o pneu de trás indicava 20 PSI, ao contrário dos 29 PSI recomendados. O da frente também apresentava uma diferença assinalável. Enchi os pneus, voltei à estrada, e o comportamento da mota voltou aos habituais padrões de segurança e de progressividade na inserção em curva. Quem sabe a "escorregadela" da roda traseira não se tenha ficado a dever, também, a uma inadequada pressão dos pneus?
Mais tarde, pensando acerca deste assunto, veio-me à memória a escrupulosa atenção que o pessoal de manutenção tem, em competição motociclística, à verificação minuciosa da pressão dos pneus antes de uma corrida. Nessas condições de competição pura, em que o mínimo desvio tem consequências imediatas no comportamento da mota, assegurar a pressão exata dos pneus deve ser fundamental. Concluindo, verifique frequentemente a PRESSÃO dos PNEUS da sua mota, pois pode ser essencial para uma conduçao em segurança e com prazer.
Em breve publicarei um Post sobre o estado dos pneus.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Saudação incial

Boas!
É com prazer que inicio o ano de 2013 com um Blog que se dedica a um dos meus interesses: as duas rodas. Apesar de haver muita informação em circulação acerca das motas, nomeadamente dados técnicos divulgados oficialmente e outros oriundos de testes que são realizados, a experiência de cada um com as motas da sua vida é insubstituível. Só dessa forma se adquire conhecimentos únicos que podemos partilhar e que enriquecem e proporcionam outras experiências. Por exemplo, acerca da longevidade e fiabilidade das motas e dos motores, não há muita coisa publicada nem divulgada. Sabemos que tal depende do tipo de utilização que é feita, mas mesmo assim é inquestionável que há motas e motores mais resistentes, independentemente da sua categoria. São as por mim denominadas "sobreviventes". Raramente, há alguns corajosos que quando vendem as suas motas decidem divulgar a quilometragem real. Um destes dias vi uma mota a vender que tinha 460000 kms. Quem a terá comprado? (EhEh). 
Bom, mas esta é apenas uma das questões que fogem um pouco à informação que habitualmente conseguimos apurar acerca dos modelos em circulação. Outras haverá, como: a influência de certos componentes e acessórios no comportamento geral da mota; marcas, preços e qualidade de certos acessórios ou material de manutenção; dicas de condução, seja para maximizar a segurança seja para aproveitrar o potencial da mota; etc., etc., etc.
Este é o post de abertura, e espero que seja suficientemente motivador para originar uma troca de conhecimentos e experiências verdadeiramente enriquecedora.
Em suma, BEM VINDOS!!!